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A bioplastia é uma técnica de implante líquido infiltrativo que será discutida a seguir.
Existem diversos tipos de
materiais para implantes, classificados em autólogos e heterólogos,
que podem ser sintéticos, naturais e mistos, não sendo o objetivo
deste comentar sobre suas peculiaridades, a escolha do produto vai
depender do objetivo almejado, região anatômica a ser implantada, e da
experiência de cada profissional, daremos sim ênfase no PMMA (polimetilmetacrilato),
composto utilizado em diferentes concentrações para cada região do
corpo humano.
PMMA como implante líquido infiltrativo
Muitas tentativas foram feitas
durante décadas passadas para preenchimentos de depressões ou
cicatrizes com os implantes biológicos ou artificiais. A maioria de
materiais biológicos são, entretanto, reabsorvidos dentro de 1 ano,
onde os materiais sintéticos até agora, vinham mostrando alguns
efeitos colaterais como migração, formação de granuloma e reação
alérgica tardia. Isto é causado na maior parte por uma seleção e por
um uso errado dos materiais. O tamanho e a forma do material a ser
utilizado possuem um importante papel.
O uso de PMMA no campo medico
foi prática comum desde 1945. O PMMA é aplicado em proteses dentais,
implantes nas costelas, cimento de osso, lentes inter-ocular, material do
reparo para a cirurgia cranio-facial tão bem como muitos outros
dispositivos médicos.
Por ser inerte e biocompatível
os implantes de PMMA foram discutidos positivamente em muitos artigos
científicos.
As experiências animais com microesferas de PMMA foram empreendidas em 1985 na universidade de Francoforte com o intuito de provar o biocompatibilidade do material. O
primeiro uso como o material do aumento do tecido nos pacientes começaram
em 1989 e entre 1989 e 1999 e usados dentro sobre 200 000 pacientes
conforme descrito por Lemperle (2003). Para datar, todos os estudos de
caso de Artecoll mostraram um grau elevado de segurança e de uma taxa
extremamente baixa da complicação.
BIOPLASTIA - CONCEITOS BÁSICOS
A Bioplastia tem como definição
ser a plástica, sem cortes nem cirurgia, que é realizada com o
implante de biomateriais em planos anatômicos profundos, por processo
minimamente invasivo (Nácul). A bioplastia é realizada sob anestesia local, sem sangramento, com curta duração nos procedimentos. Como não existe necessidade de sedação o paciente permanece acordado no transcorrer do procedimento participando ativamente, podendo opinar quanto ao volume e forma a ser dado na região escolhida. O polimetilmetacrilato (PMMA), já foi usado em mais de 200.000 pacientes ao redor do mundo (excetuando-se aí os Estados Unidos) segundo LEMPERLE (2003).
Segundo RUBIN (1997) a permanência
definitiva de implantes para preenchimento de tecidos moles no sítio de
implantação, só seria conseguida através do uso de substâncias sintéticas,
no entanto, o uso dessas têm sido associado diversos efeitos colaterais
como migração, formação de granuloma e reações alérgicas tardias.
Foi para superar esse problema que foram iniciados os primeiros
estudos misturando-se o PMMA a um veículo carreador que permitisse a
implantação nas camadas profundas da derme através de uma seringa. Os compostos contendo microesferas de PMMA
misturados a um veículo carreador (colágeno ou colóides sintéticos)
emergiram como sendo o produto ideal para preenchimento e reconstrução
de tecidos moles, devido ao fato de permanecerem estáveis no local da
implantação.
Os produtos a base de PMMA foram usados durante aproximadamente
dez anos tendo sua eficácia e segurança defendida pelos usuários e
pelos autores. Foram realizados diversos estudos em animais e
seres humanos, para avaliar a biocompatibilidade e as reações do
hospedeiro à implantação. No
entanto, ainda faltam ensaios clínicos bem delineados e com tempo de
seguimento adequado para se que se avaliem melhor as taxas de complicações
tardias, visto que essas têm sido descritas somente através de relatos
de casos.
Histórico No início do século XX foram sintetizadas as primeiras substâncias efetivas e, relativamente, biocompatíveis. Segundo LEMPERLE (2003) a substância aloplástica ideal para implantação deveria ser biocompatível, segura, estável no local da implantação, manter seu volume uma vez implantada no hospedeiro, não causar protusão através da pele ou mucosa, induzir mínima reação de corpo estranho, não ser removida por fagocitose, não possuir potencial migratório para locais distantes e, principalmente, não causar granuloma por corpo estranho. Rubin (1997) complementa dizendo que o material deve ser inerte aos fluídos corporais, facilmente manipulável na mesa cirúrgica e, acima de tudo, permanentemente aceito. Os compostos de colágeno, as melhores substâncias existentes até a pouco tempo para preenchimento de tecidos moles, não ofereciam resultados animadores, pois perdiam em pouco tempo seu efeito reparador, sendo reabsorvidos por fagocitose pelos macrófagos em cerca de quatro a seis semanas. Foi também tentado o uso de silicone (Bioplastique), produto produzido pela bioplasty inc. daí o termo bioplastia, que vem sido amplamente utilizado no Brasil, entretanto houve muitos efeitos colaterais entre eles a formação de extensos granulomas (devido a superfície áspera das micropartículas), tornando inaceitável seu uso para preenchimento de tecidos moles. A Bioplastia teve seu início nos Estados Unidos com o Cirurgião Robert Ersek que descreveu o uso do bioplastique e também a utilização de microcânulas atraumáticas. No Brasil o grande desenvolvimento e pioneirismo quanto as técnicas se deu devido ao cirurgião plástico Dr. Almir Nacul que adaptou o PMMA ( polimetilmetacrilato) já que este possui praticamente todas as características de um produto considerado ideal para fins de implante líquido como descrito por Lamperle. O Dr. Nacul também desenvolveu microcânulas especiais assim como cânulas para anestesia, denominadas microcânula de Nácul. O polimetilmetacrilato foi sintetizado pela primeira vez em 1902 pelo químico alemão Röhm e patenteado como Plexiglas em 1928. Em 1940 foi usada a primeira placa de Plexiglas para cobrir um defeito na calota craniana. Já em 1947 Judet introduziu a primeira prótese de costela feita de PMMA. Charnley em 1960 usou pela primeira vez a substância como cimento ósseo para fixação de uma prótese de Moore. Foi ainda usado por Bucholz como um carreador de antibióticos, como a gentamicina, em 1971 e, em 1974 Klemm introduziu o uso de cadeias de gentamicina e PMMA para o tratamento da osteomielite. As primeiras experiências do uso do PMMA para implantação em tecidos moles foram realizadas na Alemanha. Ott (1988) e Lemperle (1991) realizaram os primeiros testes com a implantação de partículas não reabsorvíveis na pele de ratos seguindo-se, então, de uma análise histológica. Nesses estudos o menor número de reações celulares era obtido com as microesferas de polimetilmetacrilato, até então usado, principalmente como cimento ortopédico. Foi somente em 1994 que surgiu a idéia de se misturar as microesferas de polimetilmetacrilato ao colágeno bovino criando um veículo pastoso e facilmente implantável na subderme através de agulhas finas. A
partir de então se constatou uma maior permanência do implante no
local, tendo, nesse contexto, os compostos de colágeno misturados a microesferas de PMMA, causado grandes expectativas para os pesquisadores
e a comunidade médica. Diversas empresas comercializam compostos de PMMA, existindo no mercado diversos nomes fantasias disponíveis para uso. Os produtos variam principalmente em relação à substância carreadora e ao tamanho das microesferas. Podem ser encontrados já preparados em seringas ou em frascos de vidro. Os principais nomes fantasias desses produtos no mercado são: Metacrill (Nutricell Laboratory), Arteplast, Profill, Artecoll e new plastic. O
Metacrill e o New plastic são os compostos de microesferas de PMMA com diâmetros ao redor de
40 micra, em suspensão em meio colóide de carboxi-metilcelulose
aprovados pela ANVISA. O Artecoll é composto por microesferas de PMMA, de 30 a 42 mícrons de tamanho, suspensas num gel carreador a base de água composto de 3.5% de colágeno bovino com remoção do final de uma cadeia telopeptídia imunogênica, o que diminui sua antigenicidade. São adicionados ainda 0.3% de lidocaína. Este composto é o que melhor se tem estudos publicados, porém sua aplicação em planos profundos é restrita, e ainda possui anestésico local o que impossibilita sua aplicação em grandes quantidades no corpo como bioplastia dos glúteos.
Figura
2. As microesferas de polimetilmetacrilato de 30-40 um possuem superfície
totalmente livre de impurezas garantindo que essas não sejam fagocitadas e, além disso, produzam
pouca reação inflamatória.
O produto Artecoll deve ser
implantado estritamente intradérmico (derme reticular) um pouco acima
da junção entre a derme e o tecido celular subcutâneo, sendo contra
indicado seu manejo em planos profundo como intramuscular e justa-periosteal, como vem sendo empregado no Brasil em procedimentos de bioplastia com compostos semelhantes de Polimetilmetacrilato. No final
de cada implantação o implante deve ser massageado e aplicada pressão
delicada caso ocorra formação de nódulos.
Figura 3. Injeção do Artecoll (composto de
microesferas de PMMA
e colágeno) na
derme
profunda para correção de rugas. Quanto
ao volume a ser implantado, é muito raro que ocorra “supercorreção”
devido ao fato de haver uma densidade alta na derme profunda o que
permitirá somente que uma certa quantidade do produto seja injetada.
Devido a esse fato, se recomenda que sejam feitas mais uma ou duas
aplicações, em cima da já existente para que se consiga um resultado
ótimo. A
Resposta do Hospedeiro à Implantação Foi através de estudos histológicos que se pôde chegar a um tipo de implante como os de PMMA, que se mantivessem estáveis por um longo período de tempo no local da implantação, além de induzir a mínima resposta como corpo estranho. ALLEN (1992) em um estudo longitudinal estudou
as reações celulares após a injeção de implantes inertes. Tais reações
eram seguidas por uma série de eventos de magnitude variável. Nas
primeiras 24 horas neutrófilos e pequenas células redondas predominam;
em 48 horas há predomínio de monócitos; em sete dias já está
ocorrendo formação de células gigantes contra corpos estranhos; em
duas semanas a resposta celular já está moderada; em quatro semanas os
monócitos se diferenciam em células epitelióides e os fibroblastos
aparecem; com seis semanas células
gigantes de corpo estranho são notadas e a deposição de colágeno se
intensifica; em oito semanas as células inflamatórias crônicas estão
dispersas ao longo de uma maciça deposição de colágeno. A partir daí,
a reação celular ao corpo estranho se estabiliza e em seis meses células
gigantes e um pequeno grau de resposta celular está presente com uma
reduzida quantidade de colágeno denso e há conversão dos fibroblastos
em fibrócitos.
Reisberger
(2003) complementa dizendo que apesar de um estudo histológico
apropriado a longo termo não ter sido realizado, não há mudança no
padrão histológico após aproximadamente seis meses.
Figura
4. Em seis meses as microesferas de Artecoll se
encontram rodeadas por tecido conjuntivo do hospedeiro
e alguns macrófagos.
O
grande avanço que se obteve com o uso de microesferas de PMMA, foi o
fato de o implante permanecer definitivamente no sítio de aplicação
sem potencial migratório, induzindo, ainda, a mínima reação de corpo
estranho. Tal fenômeno ocorre devido às esferas possuírem uma superfície
extremamente lisa, livre de impurezas e com ausência de cargas elétricas.
Uma vez implantadas elas são encapsuladas pelas fibras colágenas do
hospedeiro, impedindo que estas sejam fagocitadas e prevenindo o seu
deslocamento.O tamanho das microesferas também é suficientemente
grande para que elas não sejam fagocitadas. Os
compostos de microesferas de PMMA têm sido amplamente utilizados na
cirurgia plástica para reconstrução e preenchimento de tecidos moles,
no Brasil está sendo utilizada em planos profundos com
resultado.
O uso dos compostos de PMMA tem sido descrito na literatura para diversos fins, desde para a correção de cicatrizes, passando por seqüelas decorrentes de trauma. No Brasil estamos com técnicas muito avançadas o que traz um grande número de pacientes ao País com o objetivo de realizar procedimentos como aumento dos glúteos, correções inestéticas do nariz, elevação da ponta nasal, projeção da ponta nasal, afinamento da ponta nasal, aumento dos lábios, melhora no contorno labial, aumento muscular para melhoria da harmonia corporal como bioplastia do bíceps, bioplastia dos ombros (deltoide), bioplastia nas coxas, pernas e tem sido realizado procedimentos de bioplastia genital com resultados muito satisfatórios, além de correção dos sulcos naso-labiais, naso-geniano, aumento da maça do rosto, melhoria na definição da linha da mandíbula, aumento ou definição do mento (queixo), aumento ou definição da panturrilha (músculo gastrocnemio), rejuvenescimento das mão com bioplastia no dorso da mão, e hoje tem sido difundido uma nova técnica que alia a bioplastia a outros procedimentos estéticos para promover não somente a conformação tamanhos e contornos, mas também promover uma melhoria na qualidade da pele, corrigir a flacidez muscular, elasticidade da pele, manchas dentre outros, conhecido e desenvolvido no Brasil como Biomodulação Corporal. Com o intuito de facilitar sua aplicação e minimizar os riscos foram criadas microcânulas tanto pata implantação do PMMA quanto para analgesia (Nacul), estas são atraumáticas, não provocando lesão vascular nem sangramentos significativos
Segundo LEMPERLE (2003) a correção das linhas de expressão glabelares geralmente não oferece problemas, pois a área possui uma derme grossa e boa quantidade de tecido conjuntivo para suportar o implante. No entanto, há risco de cegueira e oftalmoplegia após injeções nessa região conforme um relato de caso apresentado por SILVA e CURI (2004). Segundo esses autores, a injeção na área glabelar parece ter um maior risco de complicações oculares devido à rica rede de anastomoses nessa região, onde múltiplos ramos da artéria oftálmica se projetam para fora da órbita em direção à face, e o fluxo retrógrado produzido pela injeção nos ramos extraorbitais da artéria oftálmica seria responsável pelos acidentes oculares. Tais complicações já haviam sido descritas por outros autores como DREIZEN (1989) e EGIDO (1993) ao se injetar gordura autóloga na região glabelar.
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